Os genéricos vieram e, com eles, o governo prometeu que os doentes iriam poupar dinheiro.
Quando anunciou o novo sistema de preços de referência, o ministro da Saúde garantiu poupança generalizada para o Estado e para os utentes.
Segundo um estudo da Associação Nacional de Farmácias, em 2003 o Estado poupou 40 milhões de Euros, enquanto os doentes gastaram mais do que no ano anterior.
E a factura vai continuar a aumentar porque a taxa de majoração sobre o preço de referência, atribuída aos utentes do regime especial de comparticipação do SNS, só vigora até ao fim deste ano.
O consumo de genéricos ainda é baixo devido à resistência médica em prescrevê-los.
Por aqui se concluiu as promessas governamentais foram um logro para a os utentes.
Apesar da descida do preço de muitos medicamento de marca, apesar de um aumento relativo de consumo de genéricos, os doentes portugueses gastaram mais em relação ao ano anterior, devido à introdução do novo esquema de comparticipação dos medicamentos.
Não se compreende a resistência dos médicos à prescrição dos genéricos quando os mesmos são aceites em muitos países do mundo, inclusive onde há um forte controle de qualidade do medicamento. Portanto, só por hábitos de prescrição, resistência à mudança ou outros interesses camuflados, se pode entender a recusa de muitos médicos na introdução do genérico no receituário. No meio de tudo isto aparece ainda uma guerrinha entre os médicos e os farmacêuticos sobre a possibilidade de alteração da receita. Se a receita pode ou deve ser alterada, em nome dos interesses do doente, é o mote da discussão: cada um puxa a brasa à sua sardinha, mas, para o doente, não parece sobrar nem pão nem sardinha.
Sobre os preços dos medicamentos, há que realçar as movimentações da política de preços pela indústria farmacêutica. Alguns medicamentos de marca sofreram reduções de 50%! Será de perguntar porque não poderia ter sido feito anteriormente. Simplesmente porque a industria do comprimido o que dá com uma mão tira com a outra. E muito provavelmente tira mais do que dá. Portanto, entre genéricos, produtos “brancos” e produtos de marca, as alterações de preço vão conduzir a um equilíbrio de receitas para os laboratórios de maneira que as receitas fiquem, no mínimo, inalteradas. Como é usual, o contribuinte sai penalizado porque a comparticipação do Estado diminui à custa do doente. E, neste estado de coisas, se o doente protestar o Estado limita-se a responder que a culpa é do médico, que poderia receitar um genérico mais barato.
Não parece haver dúvidas que, em Portugal, se consome medicamentos em excesso.
Mas já se analisou a razão de tal facto?
Se o Estado investisse mais nos cuidados de saúde preventiva, será que não ajudava a diminuir o consumo de medicamentos?
Se não houvesse longas filas de espera para uma mísera consulta, ou se os utentes não tivessem de ir para longas filas de madrugada, ou deslocar-se a muitos quilómetros de distância para uma consulta, também não ajudaria a diminuir o consumo?
A falta de meios auxiliares de diagnóstico e a espera por longo tempo não faz que o estado de muitos doentes se agrave?
E a falta de organização dos centros hospitalares, a chamar mortos para consultas e operações, não ajudaria os vivos na resolução dos seus males?
Muita coisa vai mal na saúde de Portugal há muitos anos.
Até agora foram-se usando uns remendos para tapar os buracos mais visíveis, mas o sistema continua com uma “virose” multi-resistente no seu interior que até hoje ninguém acertou no “antibiótico” a usar, pelas simples razão de que não há um comprimido milagroso para a nossa doença. Precisamos alterar o funcionamento de muitas coisas desde o ministério da saúde ao hospital, ao centro de saúde, ao médico, do enfermeiro à organização burocrática, à farmácia,.....à mentalidade do doente.
Faz falta uma “revolução” ao sistema de saúde de ponta a ponta.
E de que maneira...
Afixado por: Diaba Ólica em fevereiro 25, 2004 09:26 PMEssa verdade é muito verdadeira...
Um abraço,
Francisco Nunes
Só tenho dúvidas, quanto à qualidade dos genéricos vendidos em Portugal. Em relação aos outros países, eles que se desunhem.
Quanto ao SNS, está morribundo.
Segundo os especialistas sobre a matéria referem àcêrca dos genéricos os mesmos contêm a substância principal para o tratamento da doença. A questão põe-se em relação aos restantes componentes que entram no fabrico do fármaco, alguns dos quais não servem para nada, isto é só para formatar o comprimido, ou a cápsula.Ora partindo-se do princípio que o medicamento genérico contém a substância activa, qual será a dúvida do clínico na sua prescrição.
Mais, quem garante ao mesmo clínico que o medicamento de marca que ele tendencialmente receita produz um melhor resultado que o genérico. Tendo os genéricos sido introduzidos no mercado em quantidades pequenas e tão recentemente como é que os clínicos podem afirmar
com autoridade, se efectivamente um é mais eficaz do que o outro. É evidente que nós todos sabemos os porquês da não receptividade por parte da maioria dos clínicos em passarem a incluir nos seus receituários, os genéricos. Os génericos vendem-se sem necessidade de recurso a delegados de propaganda médica que são o veiculo, para além de algumas ofertas, de garantia de qualidade do medicamento. Pois é Victor isto precisa de uma vassourada mas bem dada.
Duas perguntas:
Porque é que existem marcas de genéricos?
Porque é que não dizem quais são os excipientes?
Agora uma afirmação:
Os medicamentos genéricos não são obrigados por lei a serem testados, quando os medicamentos de marca estão constantemente a serem inspeccionados. Não, eu não sou farmacêutico, mas sinto-me enganado quando comprei uma porcaria com o mesmo princípio activo do Voltarem (perdoem-me a mensão da marca, mea culpa) e me saiu uma coisa que nem relaxava um bocadinho do músculo, agora tenho aqui em casa uma caixa de um medicamento genérico de marca que não me serve para nada e que vou deitar fora. Acabou por me sair mais caro...
E se eu fosse alérgico ao excipiente?
Afixado por: Virus em fevereiro 27, 2004 06:54 PMVirus, não sendo especialista na matéria, estou convencido de que os estudos clínicos que os genéricos são obrigados a apresentar ao organismo que tutela o sector são similares aos dos medicamentos de marca. Portanto a qualidade do produto é assegurado “à priori” pelo regulador. Se o principio activo de um genérico é igual ao do produto de marca, o efeito de qualquer deles será similar para as mesmas condições. Aliás na nova maneira de prescrição, pretende-se que os médicos indiquem o principio activo e não a marca como era usual até aqui. Nós, os doentes usamos frequentemente o termo “tomar uma aspirina” (nome da marca) quando deveríamos dizer “tomar ácido acetilsalicílico” que é o nome do produto activo.
Sobre o caso apresentado (Voltaren) se o produto não fez efeito, o mais certo é dever-se a outras circunstância, que podem ser muitas e diversas, do que à qualidade do produto em si.
Se outros países utilizam há muito genéricos, nalguns com forte controle de qualidade, e não há queixas relevantes quanto á qualidade, por cá o panorama deveria ser similar.
Não tenho interesse especial em defender os genéricos, a única coisa que me preocupa é a relação qualidade / preço: se o genérico oferece a mesma qualidade por um preço mais baixo, a minha escolha recai necessariamente sobre este.